Velocidade de site parece assunto técnico, dessas coisas que ficam para depois. Só que ela aparece direto no faturamento, e é das poucas melhorias em que dá para medir antes e depois com ferramenta gratuita.
O estudo Milliseconds Make Millions, que o Google publicou com a Deloitte em 2020, acompanhou dezenas de marcas por meses. Melhorias de apenas 0,1 segundo no carregamento em celular vieram acompanhadas de aumento de conversão na casa de 8% no varejo e de 10% em viagens. Décimo de segundo. Uma pesquisa anterior do próprio Google, com a SOASTA, mostrou que a chance de a pessoa desistir e voltar cresce cerca de 32% quando o carregamento vai de 1 para 3 segundos.
A pessoa não pensa "esse site está lento". Ela só volta e clica no concorrente logo abaixo.
As três métricas que o Google usa
Desde 2021 o Google avalia páginas por um conjunto chamado Core Web Vitals. São três medidas, com metas públicas:
- LCP, quanto tempo até o maior elemento da tela aparecer. Meta: até 2,5 segundos.
- INP, quanto o site demora para responder quando a pessoa toca ou clica. Meta: até 200 milissegundos.
- CLS, o quanto a página pula sozinha enquanto carrega. Meta: até 0,1.
O CLS é o mais subestimado dos três. É aquele efeito de você ir tocar num botão, a propaganda carregar acima e o dedo acertar outra coisa. Some junto com a paciência do visitante.
Como medir sem chutar
Abra o PageSpeed Insights e cole o endereço de uma página interna, não só o da home. A ferramenta devolve duas coisas diferentes, e vale saber separar: os dados de laboratório, que são um teste simulado, e os dados de campo, que vêm de visitantes reais no Chrome nos últimos 28 dias. Os de campo são os que contam para o Google.
Se a sua página não tem dados de campo, é porque tem pouco tráfego. Nesse caso vale acompanhar o laboratório e repetir o teste sempre no mesmo horário, porque a medição varia bastante entre execuções.
O que costuma estar pesando
Em site de empresa, quase sempre é uma dessas três, nessa ordem:
- Imagem grande demais. Foto de 4 MB saída da câmera, exibida num espaço de 400 pixels. Converter para WebP e gerar tamanhos diferentes para celular e desktop costuma cortar mais de 80% do peso sem diferença visível.
- Excesso de plugins e scripts de terceiros. Cada chat, pixel de anúncio, mapa e player carrega o próprio pacote de código. Some quanto isso pesa antes de instalar mais um.
- Fonte personalizada mal configurada. Sem o ajuste certo, o texto fica invisível enquanto a fonte baixa, e o visitante encara uma tela em branco com a conexão ruim.
Dá para ficar rápido de verdade
Este site que você está lendo tira 99 de 100 no Lighthouse em desktop e mantém o CLS em zero, com as fontes hospedadas aqui mesmo, imagens em WebP em três tamanhos e as páginas geradas prontas no build, sem esperar o navegador montar tudo. Não é mágica nem ferramenta cara: é decisão de projeto tomada antes de a primeira linha ser escrita.
Se o seu site já está no ar e lento, a ordem que dá mais resultado por hora de trabalho é: comprimir as imagens, remover o que não é usado e só depois discutir troca de hospedagem.
Escrito pela equipe da Innovate Apps, que desenvolve sites, sistemas web e aplicativos para empresas em todo o Brasil.